Composições de canções de câmara
Esta seção reúne as composições de Vitor Alves de Mello Lopes voltadas principalmente à música de câmara para voz e piano, com ênfase na canção de câmara. O catálogo inclui peças escritas para recitais, festivais e projetos culturais, muitas delas já estreadas em apresentações públicas. Cada obra é apresentada com informações básicas e observações breves, oferecendo um panorama claro do repertório e do percurso do compositor nesse universo camerístico.
Canções de câmara
Amor Cifrado (2025)

Amor Cifrado (2025) – para barítono e piano
Duração: 5’
Texto: Percival Lelo Gomes
Dedicatória: Homenagem a Camargo Guarnieri.
Estreia: FUC Festival universitário da canção 2025 — Intérprete(s): Erick Vinicius Paulino Moraes (voz) e Ana Paula Soares Ferreira Teixeira (piano)
Situação: obra estreada
Partitura: sob consulta
Observação: Peça Amor Cifrado, de Vitor Alves de Mello Lopes, com poesia de Percival Lelo Gomes, foi eleita por votação popular como a Melhor Canção de Câmara do Festival Universitário da Canção (FUC) da Fundação Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS 2025), no dia 9 de novembro. A música busca evocar o lirismo sentimental de canções antigas, em um texto que celebra o amor.
[...] (Recitativo) (2025)

Ponto de Caboclo Pena Dourada (2023) – para barítono e piano
Duração: 1’30’’
Texto: Lucas Mantovani
Dedicatória: Para Leandro Cavini
Estreia: Conservatório de Cubatão — Intérprete(s): Leandro Cavini (voz) e Vitor Alves (piano)
Situação: obra estreada
Partitura: sob consulta
Link: Performance na ABAL 2025
Observação: A música parte de um texto de Lucas Mantovani, poeta de Lobato, no Paraná, e se constrói, desde o início, em um clima melancólico e revoltoso. A opção por um tratamento recitativo, sustentado por repetições insistentes, revela com clareza a psicologia da obra: uma fala interior fragmentada, tensionada, quase obsessiva. Ao longo do percurso, esse discurso vai se transformando até alcançar, no desfecho, uma espécie de redenção. O abandono progressivo dos clusters iniciais — densos e instáveis — culmina no acorde de Mi maior, que surge como síntese e libertação, configurando a redenção do eu lírico. A obra foi composta em 26 de junho de 2025, em Campinas, São Paulo, e estreada no Recital Vozes do Brasil, cuja primeira apresentação ocorreu no Conservatório de Cubatão, em 4 de julho de 2025.
Ponto de Caboclo Pena Dourada (2025)

Ponto de Caboclo Pena Dourada (2025) – para barítono e piano
Duração: 4’
Texto: Ponto de umbanda não identificado
Dedicatória: Para meu querido pai
Estreia: Conservatório de Cubatão — Intérprete(s): Leandro Cavini (voz) e Vitor Alves (piano)
Situação: obra estreada
Partitura: sob consulta
Link: Performance na ABAL 2025
Observação: Ponto de Caboclo Pena Dourada, para barítono e piano, foi estreada em Cubatão, no Conservatório da cidade, durante o recital Vozes do Brasil, realizado com financiamento da Lei Paulo Gustavo de Cubatão. A obra nasce de uma lembrança afetiva: a melodia, frequentemente cantada pelo pai do compositor durante sua infância, funciona como ponto de partida para a construção musical.
A escrita se desenvolve inicialmente em um caráter polifônico e contemplativo, explorando a escuta e a sobreposição de linhas. Aos poucos, a música se transforma, conduzindo a uma segunda seção marcada por um batuque de caráter mais alegre, que remete à energia rítmica e coletiva das sessões de terreiro. A peça foi iniciada em 20 de maio de 2025, finalizada em 17 de junho de 2025 e revisada em 29 de junho de 2025, no Jardim Flamboyant, em Campinas (SP). Ela foi estreada no Recital Vozes do Brasil, cuja primeira apresentação ocorreu no Conservatório de Cubatão, em 4 de julho de 2025, em projeto financiado pela Lei Paulo Gustavo de Cubatão.
A Obra (2023)

A Obra (2023) – para barítono e piano
Duração: 4’
Texto: Alonso Tôrres
Dedicatória: Ao meu amigo Leandro Cavini
Estreia: FUC Festival universitário da canção 2024 — Intérprete(s): Leandro Cavini (voz) e Vitor Alves (piano)
Situação: obra estreada
Partitura: sob consulta
Observação: A Obra foi a obra vencedora do FUC – Festival Universitário da Canção 2023, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, cuja premiação ocorreu em 12 de abril de 2024. A composição rendeu a Vitor Alves de Mello Lopes o prêmio de Melhor Canção de Câmara, a partir do poema homônimo de José Alonso Tôrres Freire. A escolha do texto deu-se por sua densidade dramática e complexidade simbólica, aspectos que orientaram uma escrita musical marcada por harmonia intensa e instável, em consonância com o caráter do poema.
A peça articula múltiplas referências estéticas, incluindo elementos do expressionismo alemão, como o uso de canto falado, além de influências de Camargo Guarnieri, Heitor Villa-Lobos, Dinorá de Carvalho e Osvaldo Lacerda. Para a gravação apresentada ao público, a obra contou com a interpretação do barítono Leandro Cavini, com colaboração do barítono argentino Guillermo Anzorena na preparação musical, parceria destacada pelo compositor como fundamental para o resultado final.
O segredo dos maracujás (2020)

O segredo dos maracujás (2020) – para barítono e piano
Duração: 2’
Texto: Camila Suno e Elienai Ramos
Dedicatória: Ao talentoso barítono Leandro Cavini
Estreia: Conservatório de Cubatão — Intérprete(s): Leandro Cavini (voz) e Vitor Alves (piano)
Situação: obra estreada
Partitura: sob consulta
Link: Performance na ABAL 2025
Observação: A música foi composta durante a pandemia de Covid-19, em 2020, e nasceu, a princípio, do desejo de criar uma canção simples, inspirada no universo das canções modernistas de Camargo Guarnieri. O ponto de partida foi uma poesia que me chamou a atenção ao encontrá-la publicada no Instagram, assinada por dois cubatenses, Camila Suno e Elienai Ramos, colegas que conheci em contextos distintos. Segundo os próprios autores, o poema surgiu de um passeio pelas terras de Cubatão, experiência que impregna o texto de uma dimensão afetiva e territorial muito marcada.
Musicalmente, a obra dialoga de maneira discreta — talvez perceptível, talvez apenas intuída — com traços estilísticos associados tanto a Guarnieri quanto a Dinorá de Carvalho, especialmente na relação entre linha vocal e acompanhamento, na economia de meios e no tratamento expressivo da palavra. A versão original, para voz e piano, foi composta em janeiro de 2020. Em janeiro de 2024, a obra recebeu uma nova camada de leitura musical ao ser orquestrada, ampliando suas cores e possibilidades expressivas sem abandonar o caráter intimista que marcou sua gênese.
Ela foi estreada no Recital Vozes do Brasil, cuja primeira apresentação ocorreu no Conservatório de Cubatão, em 4 de julho de 2025, em projeto financiado pela Lei Paulo Gustavo de Cubatão.